A resistência do Irã muda o jogo no mundo
Se a guerra no Irã for retomada e escalar, a economia mundial corre o risco de uma depressão. Não haverá mais petróleo, nem gás, nem hélio, nem fertilizante, nem nada vindo da região do Golfo Pérsico por muitos anos. Por enquanto, a economia mundial foi impactada pelo aumento de preços dos derivados de petróleo e uma certa escassez de alguns produtos. Mas, se a guerra se intensificar, em poucas semanas a situação piorará consideravelmente. Os agressores acharam que iriam vencer o Irã com sua capacidade aérea, bombardeando violentamente o país. Essa estratégia fracassou solenemente, e os EUA ainda gastaram boa parte de suas reservas de armamentos. Como nenhum dos objetivos militares dos EUA foi atingido até o cessar-fogo, pode-se dizer que o Irã está ganhando a guerra.
Em determinados momentos, desde o início do conflito, os EUA, que improvisam o tempo todo, ensaiaram a invasão do Irã por terra. É consenso entre os especialistas militares independentes que isso seria um erro grosseiro. Fala-se que os americanos poderiam mobilizar 50 mil militares para a operação, dos quais apenas 10 mil seriam de combate; o restante seria pessoal de apoio e retaguarda. Já as forças armadas do Irã possuem uma das maiores estruturas militares do mundo, com um contingente ativo estimado em aproximadamente 610 mil militares. Essa força é dividida em dois braços principais: 1. Exército Regular (Artesh): focado na defesa das fronteiras nacionais e na soberania territorial; 2. Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC/Pasdaran): uma força de elite, ideológica e militar, que protege o sistema político e projeta influência regional.
Além dessa estrutura regular, o país dispõe da Força Paramilitar, uma milícia voluntária que pode mobilizar milhões de civis em caso de guerra total, com cerca de 220 mil membros prontos e milhões na reserva. Motivação para os soldados iranianos não falta, já que seu país foi atacado sem nenhuma razão, e as forças inimigas cometeram uma série de crimes de guerra, matando, inclusive, o líder religioso máximo do país, Ali Khamenei, uma espécie de "papa" dos xiitas (95% da população do Irã).
Mesmo que os 50 mil militares fossem tropas de combate, seria quase impossível o sucesso em uma invasão do Irã por terra. Para a invasão do Iraque em 2003, os EUA arregimentaram 185 mil soldados nos países vizinhos. O Iraque tem ¼ da........
