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Enquanto o Brasil vota, Adélio permanece no limbo e nem fala sobre eleição

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07.10.2026

Faltavam duas semanas para a eleição presidencial quando Maria das Graças Ramos de Oliveira viu pela última vez o irmão Adélio Bispo de Oliveira.

Ela estava numa sala da Defensoria Pública da União, em Montes Claros, Minas Gerais. Ele, a mais de mil quilômetros dali, no presídio federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A visita era remota, através da tela de um computador.

Maria das Graças, a Lia, como Adélio a chama, estranhou o irmão.

Estava cabisbaixo, quieto, muito diferente da visita anterior, quando se mostrara falante e esperançoso de que finalmente deixaria a prisão.

“Desta vez, ele nem sabia que tinha eleição. E é normal: ele não vê televisão, porque não tem TV na cadeia”, contou.

Enquanto o Brasil se preparava para escolher o presidente da República pela terceira vez desde aquele 6 de setembro de 2018 que mudou sua vida, Adélio parecia não saber sequer que uma eleição estava prestes a acontecer.

O país mudou. Jair Bolsonaro foi eleito, governou por quatro anos, perdeu a eleição de 2022 para Lula e agora vê seu filho Flávio Bolsonaro disputar a Presidência.

Adélio continua no mesmo lugar.

Está preso desde 6 de setembro de 2018, quando foi contido por policiais e seguranças depois de atingir Jair Bolsonaro durante um ato de campanha em Juiz de Fora.

O objeto utilizado no episódio foi descrito no inquérito da Polícia Federal como uma faca. Até hoje, no entanto, permanece a controvérsia sobre a possibilidade de demonstrar de forma definitiva que o instrumento posteriormente juntado ao inquérito é exatamente aquele utilizado no episódio.

Oito anos depois, o personagem que interferiu dramaticamente na eleição de 2018 está praticamente excluído da sociedade — e agora até mesmo do conhecimento sobre o processo eleitoral.

Existe decisão da Justiça Federal em Campo Grande determinando sua transferência para Minas Gerais, onde deverá receber tratamento médico. A medida, porém, ainda não se concretizou porque depende de avaliação de uma equipe multidisciplinar sobre seu atual estado de saúde.

O último laudo judicial, realizado no ano passado, confirmou o diagnóstico de transtorno paranoide e registrou evolução do quadro psiquiátrico para esquizofrenia.

Antes da prisão, nada na rotina de Adélio se parecia com os últimos oito anos.

Ele tinha vida social regular, trabalhava como garçom e........

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