O mercado dos dados e a política
O controle de dados pelas grandes empresas de tecnologia — as chamadas Big Techs — transformou-se em um dos mais valiosos ativos econômicos do século XXI. Em outros termos, os dados são hoje uma fonte inesgotável de poder econômico, social e político. Em uma economia globalizada e digital, eles constituem o novo insumo estratégico que orienta a produção econômica, influencia as políticas públicas e, por consequência, interfere na própria dinâmica da política.
O universo de dados acumulados, sistematizados e disponibilizados para a coletividade, quando utilizado de forma adequada, pode servir ao interesse público. Os dados médicos, por exemplo, contribuem para diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficientes. Os dados sobre hábitos de consumo orientam empresas na definição de estratégias mercadológicas cada vez mais sofisticadas. Os dados sobre mobilidade urbana alimentam tanto o mercado quanto a formulação de políticas públicas voltadas ao transporte e ao planejamento das cidades. Em todos esses campos, a revolução tecnológica e, sobretudo, o avanço da inteligência artificial ampliaram exponencialmente a capacidade de coleta, processamento e utilização de informações em larga escala.
Biotecnologia, planejamento urbano, logística de transporte, cadeias globais de suprimentos, sistemas financeiros e plataformas digitais possuem algo em comum: todos dependem dos dados como matéria-prima essencial. Nesse contexto, a conhecida expressão “os dados são o novo petróleo”, destacada por Keyu Jin em sua obra A Nova China, revela-se bastante pertinente, embora a analogia possua limites.
A autora observa que o petróleo, uma vez consumido, desaparece. O litro de gasolina utilizado em........
