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O mundo que a guerra revela

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06.04.2026

A mais recente capa da The Economist traz um título que, sozinho, já é uma tese: ‘Never interrupt your enemy when he is making a mistake.’ A frase, atribuída a Napoleão Bonaparte, foi escolhida para retratar a postura da China diante da guerra americana contra o Irã. Não é um elogio a Pequim. É um diagnóstico sobre Washington.

A revista ouviu diplomatas, assessores, acadêmicos e ex-autoridades chinesas, e o que encontrou foi uma unanimidade rara: a China vê a guerra como um erro estratégico grave dos Estados Unidos e deliberadamente se mantém à margem. Não por fraqueza, nem por indiferença. Mas porque seus líderes entendem que o tempo corre a seu favor.

A leitura de Pequim se organiza em três camadas. A primeira é que a guerra acelera o declínio americano. Os Estados Unidos atuam por impulso, sem estratégia clara, à semelhança da Grã-Bretanha do século XIX, que exibia força militar sem direção política. Trump ignorou especialistas, fez ameaças erráticas e pode enredar Washington em anos de conflito no Oriente Médio, exatamente quando a China quer que o foco americano esteja o mais longe possível da Ásia.

A segunda camada é a validação da aposta de Xi Jinping na autossuficiência. A dependência global do petróleo do Golfo Pérsico confirma, do ponto de vista chinês, a sabedoria de décadas de diversificação energética: reserva estratégica de 1,3 bilhão de barris, expansão nuclear, solar, eólica e manutenção do carvão doméstico como base de segurança. A guerra prova que quem não controla sua matriz energética não controla seu destino.

A terceira é a abertura de oportunidades. Contratos de reconstrução no Golfo, exportação de tecnologia verde para países que querem independência dos combustíveis fósseis do Oriente Médio, e uma janela para negociar com um Trump politicamente enfraquecido, buscando concessões em tarifas, controles de exportação e, no limite, uma sinalização favorável sobre Taiwan.

O ponto cego de Pequim e a lição que o mundo precisa tirar

A análise da The Economist, porém, não poupa a China. Identifica um ponto cego estratégico relevante: Pequim subestima o risco de uma América que atua como potência ‘rogue’, destruindo a própria ordem internacional que ela mesma construiu e na qual a China prosperou. Um mundo em desordem corrói o modelo exportador chinês e ameaça a........

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