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Saída pelos arranjos

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07.09.2026

Por J. Carlos de Assis e Luiz Gonzaga Belluzzo – Em geral, os contemporâneos não costumam reconhecer os sinais de mudanças de eras, mesmo que profundos, nos primeiros momentos em que ocorrem. Ficam prisioneiros dos paradigmas passados, cristalizados em preconceitos ideológicos que dificultam não só a visão do presente, mas também das perspectivas futuras. Isso se aplica à situação atual: passando por um momento de desemprego formal em níveis historicamente baixos, o País não vê o que de fato acontece no Mundo do Trabalho em níveis mais profundos.

O ritmo extremamente rápido da introdução de novas tecnologias no sistema produtivo (automação, robotização, Inteligência Artificial) implicou, num curto período de tempo, sem precedentes, a virtual expulsão de milhões de trabalhadores dos setores da economia que tradicionalmente ofereciam os melhores empregos, principalmente a indústria. Num primeiro momento, a ideologia neoliberal tentou ocultar esses fatos com uma falácia: a substituição do trabalho formal na fábrica, no comércio ou nos serviços pelo “empreendedorismo” individual.

Entretanto, uma pesquisa recente do IBGE mostrou que nada menos do que 53% dos trabalhadores que optaram pelo empreendedorismo individual querem voltar para a carteira assinada, uma instituição liquidada por Temer e Bolsonaro. É absolutamente certo que não voltarão. As empresas não abrirão mão de suas tecnologias para voltar a um sistema muito menos eficiente e lucrativo, representado, no passado, pelos trabalhadores de chão de fábrica da primeira Revolução Industrial, hoje totalmente descartáveis.

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