A direita não chegou sozinha
Há uma onda de direita atravessando o mundo.
Na Europa, partidos de extrema-direita que durante décadas permaneceram à margem voltaram a ocupar espaço político, alimentados pela xenofobia, pelo medo da imigração, pela insegurança econômica e pelo desencanto com os partidos tradicionais.
Na América do Sul, o movimento também ganhou força.
Argentina, Chile, Colômbia e agora o Brasil mostram, cada um à sua maneira, uma mudança de humor do eleitor.
Seria fácil explicar tudo dizendo que o mundo ficou conservador.
Talvez seja mais importante perguntar por que tanta gente deixou de acreditar na esquerda e na centro-esquerda.
Durante décadas, elas prometeram governar principalmente para aqueles que mais necessitavam do Estado.
E, muitas vezes, acabaram deslumbradas pelo próprio poder.
Administraram melhor ou pior a máquina existente, criaram programas sociais importantes, distribuíram benefícios, mas raramente enfrentaram as estruturas que produzem a desigualdade que prometiam combater.
No Brasil, continuamos convivendo com uma brutal concentração de renda........
