Como os "ataques cirúrgicos" se tornaram um atoleiro para os EUA?
O ciclo trumpiano — da escalada militar ao recurso à negociação — não é meramente "a arte da negociação", mas a prova viva de que até mesmo uma superpotência, quando confrontada com resistência imprevista, é forçada a manobrar em busca de uma rota de fuga. O comportamento do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao Irã destaca-se como um exemplo primordial de seu estilo político ao longo de décadas, que combina frequentes ameaças de escalada militar e expansão da agressão com recuos parciais quando perdas econômicas reais se aproximam, particularmente em relação aos preços do petróleo.
Esse comportamento não pode ser explicado como um transtorno de personalidade ou algum tipo de loucura por parte de Trump, embora não esteja totalmente livre de tais questões psicológicas. Em vez disso, trata-se de uma estratégia derivada de livro “A Arte da Negociação”, acrescida de uma camada adicional de considerações econômicas internas que afetam sua popularidade e o desempenho da economia estadunidense.
Calma e tempestade simultaneamente
Com a escalada do conflito entre os Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irã, de outro, as forças iranianas anunciaram o fechamento parcial do Estreito de Ormuz ou ameaçaram fechá-lo completamente em resposta aos ataques. Isso levou a uma alta nos preços do petróleo Brent, que ultrapassaram os US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022.
Em 6 de março, Trump exigiu a "rendição incondicional" do Irã, aumentando ainda mais as tensões e provocando queda nos índices de ações dos EUA, além de uma elevação significativa nos preços do petróleo. Trump respondeu às críticas com uma publicação na plataforma Truth Social, em 12 de março, afirmando: "Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro. Mas o mais importante para mim, como presidente, é impedir que o império maligno do Irã adquira armas nucleares e destrua o Oriente Médio e o mundo."
Essa publicação gerou críticas generalizadas, mas refletiu sua tentativa de retratar o aumento de preços como um "benefício" para o governo dos EUA, embora o país também seja o maior consumidor de petróleo do mundo, e o aumento dos preços da gasolina impacte negativamente os........
