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A civilização diante da arrogância

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14.04.2026

Aquele que hoje ameaça fazer com que outros retornem à “Idade da Pedra” pode não estar revelando um excesso de poder, mas, sim, declarando, de forma involuntária, um profundo abalo nas estruturas do próprio império. Quanto mais estridente se torna a ameaça estadunidense, mais o vazio por trás dela se expõe. Nações autoconfiantes não precisam recorrer à retórica da “Idade da Pedra” nem a tamanha fanfarronice para ocultar a ambiguidade de seus objetivos e sua incapacidade de traduzir ameaças em políticas concretas.

Enquanto a primeira parte abordou a ameaça estadunidense sob a perspectiva da ignorância acerca da civilização e da história, a segunda parte vai direto ao ponto central: o que essa retórica revela sobre os próprios Estados Unidos? A questão não se resume mais ao Irã, nem apenas aos limites da escalada militar, mas à própria natureza de uma potência que se expressa com tamanha grosseria e à disfunção que aflige os impérios quando perdem a capacidade de distinguir entre dissuasão e neurose, entre política e impulsividade, entre Estado e capricho.

Quando o poder perde sua linguagem

Nações autoconfiantes não se expressam dessa maneira. Grandes potências, quando verdadeiramente controlam seus impulsos e objetivos, não precisam elevar a voz a esse ponto, nem substituir a linguagem das instituições pela linguagem da humilhação cultural. Elas sabem o que querem, definem o que podem fazer e traçam a linha de chegada antes mesmo de discutir o custo da jornada.

Mas, quando o discurso degenera em uma mistura de ameaças abertas, vanglória nervosa e na promessa de destruir o adversário não apenas militarmente, mas também simbolicamente e culturalmente, isso revela não confiança no poder, mas, sim, ansiedade em relação a ele.

Aqui, o império não se expressa a partir de uma posição de complacência, mas de uma perspectiva limitada, de cálculos confusos e da necessidade constante de compensar sua visão imprecisa com uma linguagem grosseira. Portanto, essa escalada verbal não parece ser tanto uma evidência de excesso de poder, mas, sim, uma........

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