O que o espera, Brasil
A frase “O que o espera, Brasil” foi publicada neste domingo, 9 de agosto, por Carlos Giménez. Acompanhava uma montagem em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece vendado e imobilizado, reproduzindo a imagem de Nicolás Maduro durante o sequestro, prisão e transferência por forças dos Estados Unidos na Venezuela. Na mão, uma garrafa de cachaça 51.
Giménez não escreveu que os Estados Unidos pretendem invadir o Brasil ou capturar Lula. Foi o influenciador Lucas Mantovani quem traduziu assim a imagem: “Os Estados Unidos vão invadir o Brasil e prender Lula do mesmo jeito que invadiram a Venezuela e prenderam Maduro?”.
E respondeu: “Parece que o deputado Giménez respondeu sim”.
A interpretação é de Mantovani. A montagem e a legenda — “O que o espera, Brasil” — são de Giménez. E saber quem é seu autor ajuda a dimensionar a mensagem.
Nascido em Havana, Giménez é deputado republicano pela Flórida e integra os comitês de Serviços Armados e Segurança Interna da Câmara, além do comitê especial dedicado à competição estratégica entre Estados Unidos e China. É também próximo de Marco Rubio.
Quando Donald Trump escolheu Rubio para comandar o Departamento de Estado, Giménez comemorou publicamente a indicação de seu “querido amigo”. A relação entre os dois ganhou significado especial em janeiro. Depois da operação americana que sequestrou Maduro, Rubio telefonou para Giménez às 4h27 da madrugada. Disse apenas: “We got him” (“Nós o pegamos”).
Sete meses depois, Giménez utilizou justamente a imagem daquele Maduro capturado para representar Lula em mensagem no X sob o título “O que o espera, Brasil”.
Não há evidência de que Rubio tenha participado da postagem ou sequer soubesse dela previamente. Mas seu autor não está na periferia do trumpismo. Pertence ao núcleo republicano cubano-americano da Flórida que exerce influência sobre a política de Washington para Cuba, Venezuela e América Latina.
Giménez já havia atacado Lula no dia anterior. Em 8 de agosto, chamou o presidente brasileiro de “corrupto” e “criminoso”, também no X, e responsabilizou-o pela deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O presidente da Argentina, Javier Milei, republicou a mensagem em sua própria conta. No dia seguinte, Giménez publicou a montagem com Lula no lugar de Maduro: “O que o espera, Brasil”.
Guga Chacra resumiu recentemente essa disputa em O Globo com um título direto: “A guerra de Rubio contra Lula”. Segundo Chacra, Trump entregou a Rubio enorme influência sobre a política para o Hemisfério Ocidental. Nesse projeto, uma vitória de Flávio Bolsonaro consolidaria o avanço político da direita no continente. A reeleição de Lula representaria uma derrota estratégica.
Neste fim de semana, The Economist acrescentou um dado expressivo: desde a volta de Trump à Casa Branca, candidatos de direita venceram as sete eleições realizadas na América Latina. A revista registra também a interferência política de Trump nas disputas eleitorais da região. Agora vem o Brasil.
No artigo “A disputa pelas urnas brasileiras”, publicado........
