Em nome do pai, vote no filho
Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 28 de abril de 2026, os candidatos de 2022 foram novamente apresentados ao eleitor. Nesse cenário hipotético, Lula aparecia com 45,2% e Jair Bolsonaro com 45,0%. A diferença era estatisticamente irrelevante. Politicamente, o dado era estarrecedor.
Apesar de um governo desastroso, robustas acusações de corrupção e de uma condenação a 27 anos e três meses de prisão por liderar a organização criminosa que golpe de Estado, Jair Bolsonaro permanecia no mesmo patamar de intenção de voto de Lula, o presidente que o derrotara nas urnas.
No dia seguinte à divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg, em 29 de abril de 2026, publicamos o artigo “Pesquisas mostram que o golpe ainda respira”. Sua conclusão continua valendo em outubro de 2026:
“a democracia brasileira venceu juridicamente o golpe, mas ainda não derrotou a mentalidade golpista.”
Pouco mais de cinco meses depois, o primeiro turno da eleição de 2026, em 4 de outubro, deu 47,03% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro e 45,16% a Lula. O pai estava fora da cédula. O filho levou o sobrenome e o projeto político ao segundo turno, à frente do presidente Lula.
Pesquisa e votação têm candidatos e bases de cálculo diferentes. O resultado das urnas não tem margem de erro. O alerta da Atlas/Bloomberg em abril e o resultado do primeiro turno da eleição, em 4 de outubro, permanece: a condenação do líder não dissolveu a força eleitoral do bolsonarismo.
A sentença transformada em perseguição
Em 25 de novembro de 2025, o STF determinou o início do cumprimento das penas de sete condenados do núcleo central da trama golpista, entre eles Jair Bolsonaro, generais, um almirante e ex-ministros.
Foi uma vitória institucional. A responsabilização alcançou dirigentes que haviam ocupado o comando do Estado e usado essa posição contra a ordem democrática.
A sentença, entretanto, não apaga as lealdades construídas em........
