A multiplicação do patrimônio da extrema-direita
Por Francisco Calmon e Leticia Mendonça – A extrema-direita brasileira construiu sua força política explorando um discurso simples e conveniente: seriam os representantes do cidadão comum contra uma suposta burguesia política, contra os privilégios e contra um Estado que, segundo eles, estaria sempre do lado errado.
A declaração de bens apresentada por Nikolas Ferreira à Justiça Eleitoral mostra uma evolução patrimonial extraordinária. Em 2022, quando disputou seu primeiro mandato como deputado federal, declarou possuir aproximadamente R$ 36,8 mil em bens. Quatro anos depois, o patrimônio declarado chega a cerca de R$ 3,8 milhões. Mesmo considerando a inflação e o fato de que parte significativa desse valor está vinculada a um imóvel financiado, trata-se de uma multiplicação patrimonial que não acompanha a realidade da sociedade brasileira proletária da qual foi eleito como representante.
O clã Bolsonaro oferece talvez o exemplo mais expressivo de como política e patrimônio se entrelaçaram ao longo de décadas. Jair Bolsonaro e seus filhos construíram suas trajetórias públicas essencialmente dentro da política. Flávio foi deputado estadual por 16 anos antes de chegar ao Senado. Carlos passou décadas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Eduardo chegou à Câmara dos Deputados. Jair Bolsonaro foi vereador, deputado federal por quase três décadas e depois presidente da República.
Não estamos falando, portanto, de uma família que chegou à política já........
