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A guerra no Supremo: Moraes e André Mendonça “quase chegaram às vias de fato”

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02.09.2026

Ex-ministro da Justiça e indicado ao Supremo Tribunal Federal por Michel Temer, construiu sua trajetória política no campo da direita, foi indicação de Temer após o golpe contra Dilma, e sua candidatura foi apoiada pela extrema-direita. 

Ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, André Mendonça foi apresentado por Bolsonaro como o candidato “terrivelmente evangélico”, tornando-se uma das principais referências do clã Bolsonaro em relação ao Judiciário.

Segundo informações publicadas pela imprensa, Moraes e Mendonça tiveram uma reunião tensa na segunda-feira, 31 de agosto, após o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo de parte das informações e defendeu que os novos elementos fossem levados ao plenário do Supremo.

Os dois ministros discutiram o rumo das investigações, com Moraes questionando Mendonça sobre a apuração que passou a atingir seu nome em uma discussão ainda mais acalorada.

André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao caso Banco Master, autorizou a divulgação de diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro. As mensagens trouxeram referências a Alexandre de Moraes e a outras autoridades. Mendonça defendeu que o material fosse submetido à análise do plenário do STF.

Em uma das mensagens divulgadas, Vorcaro perguntou a Moraes se seria possível “reverter” a situação com Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Outros trechos indicam que o banqueiro buscava informações sobre o avanço das investigações e chegou a perguntar se deveria deixar o país antes de ser preso.

Ao mesmo tempo, novas mensagens e áudios divulgados nesta quarta-feira (02/09) mostram que o próprio André Mendonça também teve um encontro com Vorcaro. O ministro confirmou ter recebido o banqueiro uma única vez, em março de 2025, embora tenha apresentado uma versão diferente sobre as circunstâncias e o objetivo da reunião. 

Por que a crise foi imediatamente concentrada em um único ministro, se o próprio material disponível revela relações de Vorcaro com diferentes personagens do sistema político e judicial? 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou o procedimento adotado. Segundo a posição divulgada, uma investigação que atingisse um ministro do Supremo exigiria encaminhamento institucional específico e não poderia simplesmente ser conduzida pelo relator com a Polícia Federal. 

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