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Re-evolução cultural na infância

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01.06.2026

O pedido de recuperação judicial, protocolado pela fabricante de brinquedos Estrela, no dia 20 de maio de 2026, expõe não só o esgotamento financeiro de uma das mais icônicas marcas do mercado brasileiro. Evidencia mudanças em hábitos de consumo não acompanhadas por companhias com produtos não digitais.

Trouxe-me também lembranças de infância da geração baby-boom, especialmente nos anos 50s. Reúnem praticamente um “ecossistema cultural” da infância urbana e suburbana do pós-guerra. 

Muitas das diversões infantis não desapareceram totalmente, mas perderam centralidade. Mudaram, simultaneamente, a estrutura da família, a urbanização, a tecnologia, a indústria cultural, os valores educacionais, a relação entre gerações, o tempo livre e a própria percepção social da infância.

A infância de quem nasceu nos anos 1950 foi provavelmente a última grande infância “analógica-coletiva” do século XX. No pós-guerra, havia abundância demográfica e vida comunitária.

Quem nasceu nos anos 1950 cresceu em um mundo marcado por forte crescimento populacional (“baby boom”), famílias numerosas, bairros com muitas crianças, ruas relativamente menos motorizadas, maior convivência intergeracional, escola em meio período, televisão em preto-e-branco com programação ainda limitada, consumo cultural mais lento e compartilhado.

As crianças viviam muito mais em “bandos” em lugar de circular individualmente. As brincadeiras de rua eram: bola de gude; pião; carrinho de rolimã; taco; “polícia e ladrão”; pega-pega; esconde-esconde; queimada; amarelinha; pipa; e futebol de rua. Dependiam de três condições históricas: muitas crianças no mesmo espaço, ruas menos perigosas e........

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