Pobreza absoluta versus pobreza relativa
Desigualdade, isto é, pobreza relativa, é impossível de superar, ao contrário da viável eliminação da pobreza absoluta. Essa distinção entre ambas é central para investigar o papel de instituições financeiras públicas. Elas pertencem a níveis analíticos diferentes do funcionamento do sistema econômico.
Pobreza absoluta é um problema de insuficiência material. Ela se refere à incapacidade de satisfazer necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, saneamento e educação básica. Organizações como o Banco Mundial usam linhas de pobreza internacional baseadas em renda mínima para sobrevivência.
Do ponto de vista econômico, a eliminação da pobreza absoluta é tecnicamente possível porque depende da produtividade média da economia, da redistribuição mínima de renda básica e da provisão de bens públicos. Historicamente, muitos países reduziram drasticamente esse tipo de pobreza, especialmente no Leste Asiático nas últimas décadas.
Pobreza relativa é um problema de posição na distribuição de renda e na concentração de riqueza. Ela se refere à posição de indivíduos, grupos ou regiões dentro da distribuição de renda de uma sociedade.
Logo, alguém pode não ser pobre em termos de sobrevivência, mas ocupar posição muito inferior na hierarquia econômico-financeira. Esse conceito é amplamente usado em estudos de desigualdade e em instituições como a Oxfam-Brasil.
Nesse caso, a pobreza relativa não é apenas um problema de insuficiência material, mas de diferença estrutural de posições sociais. Por isso, a desigualdade tende a persistir.
Economias de mercado possuem mecanismos geradores de diferenciação contínua, devido à heterogeneidade de capital humano (capacidade pessoal de ganho), aos retornos diferenciados ao capital (renda pós-fixada, prefixada ou variável), às vantagens cumulativas........
