Estruturalismo latino-americano
O estruturalismo latino-americano, formulado principalmente por intelectuais da CEPAL, a partir dos anos 1950, busca explicar o subdesenvolvimento não como um atraso temporário, mas como parte de uma estrutura global desigual. Acho memoráveis suas três principais ideias.
A primeira se refere ao “sistema centro-periferia”. A economia mundial era dividida em um “centro” (países desenvolvidos e industrializados) e uma “periferia” (países exportadores de matérias-primas). Essa relação era desigual e gerava a transferência de valor dos países periféricos para os centrais.
A segunda diz respeito à “deterioração dos termos de troca”. Os produtos primários exportados pela periferia perdem valor de mercado ao longo do tempo em relação aos produtos industriais importados do centro. Logo, os países periféricos precisam exportar cada vez mais para comprar a mesma quantidade de produtos industrializados.
A terceira trata da “heterogeneidade estrutural”. As economias latino-americanas apresentam uma profunda desigualdade de produtividade entre setores modernos (de alta produtividade) e setores tradicionais (de baixa produtividade e grande informalidade). Isto impediria a distribuição uniforme da renda e o pleno emprego.
A ascensão dos BRICS não falseou o estruturalismo latino-americano. Ao contrário, em muitos aspectos o obrigou a se sofisticar, atualizar-se e abandonar algumas formulações excessivamente rígidas ou dualistas.
Parte das hipóteses originais mostrou limites históricos, mas várias intuições centrais foram amplamente confirmadas pela própria evolução do capitalismo global. O mais correto talvez seja dizer: algumas teses estruturalistas clássicas foram relativizadas; outras foram profundamente corroboradas; e novas dinâmicas da globalização financeira e tecnológica exigiram reformulações.
O estruturalismo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, associado sobretudo a Raúl Prebisch, Celso Furtado, Aníbal Pinto e Osvaldo Sunkel não denunciava apenas os países pobres serem “menos desenvolvidos”.
A tese central era mais profunda: o capitalismo mundial produzia desenvolvimento desigual de maneira estrutural. Logo, o subdesenvolvimento........
