Brasil Soberano com Lula IV
A acumulação de reservas cambiais, a queda do endividamento externo do Estado brasileiro, o fim da dependência do FMI, o investimento na extração de petróleo da camada pré-sal com a capitalização da Petrobras e a constituição de um Fundo de Riqueza Soberana foram decisões estratégicas de governos com hegemonia do Partido dos Trabalhadores. Hoje, propiciam um superávit comercial, inclusive diante do tarifaço de Trump, exportando muito mais para a China diante dos Estados Unidos. Será um cacife eleitoral contra os entreguistas da soberania nacional e submissos ao pretenso imperador Donald?
Em grande medida, sim. Há uma sequência estratégica verificável ligando decisões dos governos Lula I-II à redução da vulnerabilidade externa brasileira atual. Evidentemente, o superávit comercial atual não é “produzido” apenas por aquelas decisões.
Além disso, classificar os adversários como “entreguistas” ou “submissos” é linguagem de disputa eleitoral. Analiticamente, é melhor perguntar se essas realizações podem sustentar uma narrativa eleitoral de soberania econômica.
O ponto de partida ajuda a dimensionar a mudança ocorrida. As reservas internacionais estavam em cerca de US$ 37,2 bilhões no fim de 2002. A política sistemática de acumulação começou em 2004. Governos Lula e Dilma, ambos do PT, deixaram, de 2003 a 2015, um volume de reservas internacionais de US$ 368,7 bilhões. Porém, o Brasil chegou ao fim de 2022 com US$ 324,7 bilhões em reservas internacionais, US$ 65,8 bilhões a menos diante das reservas registradas no início do mandato de Bolsonaro, de US$ 390,5 bilhões.
Em dezembro de 2005, o governo Lula decidiu liquidar antecipadamente todo o saldo devido ao FMI, cerca de US$ 15,5 bilhões, cujo pagamento originalmente se estenderia até 2007. O próprio FMI atribuiu a possibilidade de pagamento antecipado ao fortalecimento de sua posição externa, aos superávits comerciais e no balanço de transações correntes, ao ingresso de capitais e ao crescimento das reservas cambiais.
A mudança qualitativa foi: escassez de dólares → reservas elevadas → menor risco de crise cambial → menor dependência de financiamento oficial externo. Esse é um dos legados econômicos daquele período ainda não bem compreendido.
O Brasil não deixou de possuir dívida externa, porque a dívida externa privada permanece. O ocorrido foi a redução radical da vulnerabilidade externa do menor endividamento do setor público, associada ao enorme........
