Por que deu certo? Lula, o Flow e a Globo no vácuo
Meu pai dizia que as pessoas sempre sabiam “como as coisas DEVERIAM ter sido feitas”. Na hora de fazer, contudo, todo mundo tem dúvida. Na academia aprendemos que só se pode julgar as decisões dos atores (se acertadas ou não) a partir do conjunto de informações disponíveis na época da decisão. Um observador do futuro sempre acerta. É incorreto e injusto que, agora que a Globo caiu no buraco que ela criou, os fanfarrões se arroguem o mérito de que “sempre souberam” que a alternativa de não ir ao debate era a certa.
Não sabiam. E deveriam ter mais humildade nisso. Ninguém sabia.
E é importante dizer que houve um alinhamento de três acontecimentos – cada um com uma grande dose de possibilidade de não ter acontecido – que permitiram o indiscutível sucesso da empreitada Lula-Flow deixando a Globo “no vácuo”.
Mas afinal, por que deu certo?
Foram três eventos encadeados. Sobre nenhum deles Lula ou a campanha tinham qualquer controle.
O efeito Aranha: Estela Aranha, secretária de Direitos Digitais de Flávio Dino no Ministério da Justiça, foi alçada à condição de ministra do TSE em 2025 num dos saltos mais silenciosos da história deste país. A ministra tinha 1/7 de chance de ser sorteada para o pedido da própria campanha de Lula que buscava proibir a Globo de fazer, de novo, a política da “Cadeira Vazia”. Ela foi a sorteada. Aranha também – até agora – tinha dado votos lamentáveis em consonância com o bolsonarismo que reina na corte e nada assegurava que o “entendimento” dela mudaria. Mudou. Tivesse o sorteio caído em outro ministro, a chance de proibir a Globo de mostrar a cadeira vazia diminuiria muito. A chance seria nula caso tivesse sido sorteado Nunes Marques ou Mendonça. Guarde as chances: uma em sete.
A covardia bolsonarista: a família Bolsonaro vive se escondendo de debates reais. Viveu sempre protegida por golpes, patranhas e estratégias de intimidação ou de proteção (quase miliciana). De facada a caganeira em debates, as estratégias são muitas. Flávio é o mentecapto mais próximo do limite intelectual mínimo, mas talvez o mais covarde de todos eles. Flávio teve a chance de enfrentar um debate de muito baixo nível. Zema, Renan........
