menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Xi e Trump em Washington: em busca do chão comum entre a Armadilha de Tucídides e a Síndrome de Gulliver

19 0
29.09.2026

O encontro entre Xi Jinping e Donald Trump, em Washington, interessa muito além da China e dos Estados Unidos. As decisões das duas maiores economias do mundo afetam investimentos, cadeias produtivas, preços, acesso à tecnologia e outros temas que impactam os países que não participaram da conversa. Por isso, há uma pergunta que todos se fazem: conseguirão Washington e Beijing encontrar um terreno comum capaz de sustentar uma cooperação benéfica para seus povos e, também, para o restante do mundo?

Quando uma disputa que inicialmente era sobre tarifas se estende à tecnologia, às finanças ou à segurança nacional, seus custos se espalham rapidamente. Logo, espera-se que a competição entre as duas potências ocorra dentro de limites que preservem a cooperação entre elas e, sobretudo, fortaleçam o multilateralismo. Cabe aos dois países reconhecerem essa responsabilidade. Naturalmente, as questões mais difíceis não desaparecerão apenas porque os presidentes se reuniram por alguns dias. A diplomacia tem seu próprio tempo para produzir resultados. E o tempo diplomático não tem a mesma velocidade dos avanços tecnológicos nem dos riscos neles embutidos.

Para avaliar o alcance do encontro, convém distinguir duas pautas. A primeira reúne assuntos com maior margem de negociação. A segunda envolve interesses estratégicos e concepções distintas sobre segurança, capacidade militar e ordem internacional. A fronteira entre elas não é rígida: uma decisão comercial sobre preços, quantidades e prazos pode adquirir significado estratégico. Ainda assim, a distinção ajuda a medir o que um acordo pode resolver e o que terá de ser administrado ao longo dos anos.

A soja pertence principalmente à primeira pauta. As vendas para a China são importantes tanto para os produtores americanos quanto para a política interna dos Estados Unidos. Para o governo chinês, o produto integra uma cadeia essencial ao abastecimento de óleo vegetal e de ração animal. Beijing pode negociar o aumento de sua importação de soja dos EUA, mas precisa considerar os preços e a segurança do abastecimento. Além disso, deve levar em conta que tal decisão alterará rotas comerciais e as expectativas de produtores de outros países. Tarifas também admitem negociação, embora revelem desacordos mais profundos. Os Estados Unidos questionam práticas industriais chinesas e alegam defender suas próprias indústrias. A China, por sua vez, critica as restrições americanas que dificultam as exportações chinesas, as quais violam princípios caros ao livre-comércio.

Já outros........

© Brasil 247