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A Faria Lima e a falência do macho

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01.09.2026

Não sei se, política, social ou economicamente, a Faria Lima produz o pior do Brasil. Para afirmar isso seriam necessárias pesquisas, estatísticas, sociólogos, economistas e talvez uma boa dose de paciência. Mas humanamente, às vezes, ela parece produzir uma criatura muito particular: o macho de terno, cartão black e alma de caverna. Não estou falando de todos os profissionais que trabalham ali, evidentemente. Estou falando de uma cultura que, em determinados representantes, parece confundir dinheiro com inteligência, poder com caráter, domínio com masculinidade e sucesso com superioridade humana.

O caso recente de Ivo Vel Kos é um exemplo impossível de ignorar. O empresário do mercado financeiro, ligado à Faria Lima, foi preso em agosto de 2026 e tornou-se réu por lesão corporal e ameaça após a esposa, Giullia Falcão, denunciá-lo por agressões. Ela apareceu publicamente com o rosto ferido e um dedo quebrado e relatou ter sido agredida com socos e um taco de beisebol, além de ameaçada com uma arma de choque. Novas imagens de segurança divulgadas pela imprensa registraram parte das agressões. Kos apresentou uma versão diferente dos acontecimentos e negou as acusações. O processo está em andamento, portanto não cabe transformar acusação em condenação definitiva.

Há uma ironia nisso: um universo que passa o dia inteiro falando em gestão de risco, às vezes, é incapaz de administrar o próprio animal interior. O bicho que calcula risco cambial, risco fiscal, risco de crédito, risco sistêmico; deveria talvez criar o risco moral.

É possível administrar milhões e não saber administrar a própria violência? É possível conhecer derivativos e desconhecer limites; compreender o preço de uma empresa e não compreender que uma mulher não tem preço nem dono?

O problema não é ganhar dinheiro. A questão é ganhar dinheiro e imaginar que, por isso, se ganhou também o direito de mandar nos outros e abusar dos outros.

A coisa fica mais interessante quando se olha para os........

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