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A escala 6x1 como vetor da Obesidade: Por uma nutrição que lute pelo tempo

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21.04.2026

A nutrição, quando dissociada da política, reduz-se a um conjunto de prescrições inócuas que ignoram a realidade material do indivíduo. No centro do debate contemporâneo sobre o mundo do trabalho, a escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de folga) surge não apenas como um modelo de exaustão laboral, mas como um potente promotor de doenças crônicas. Discutir o fim dessa escala é, fundamentalmente, uma questão de saúde pública, de direito à cidadania e de soberania alimentar.

Dados de um estudo recente da Fiocruz projetam que, se as tendências atuais forem mantidas, 48% dos adultos brasileiros estarão obesos até 2030. Se incluirmos o sobrepeso, o número salta para 68%.

Entretanto, a obesidade no Brasil não é um "erro de escolha" individual; ela tem cor, classe social e gênero. Ela avança com maior velocidade entre as mulheres negras e a população de baixa renda. É este o estrato da sociedade submetido às jornadas mais exaustivas e que reside em "desertos alimentares" — locais onde o acesso a alimentos frescos é substituído pela oferta agressiva e barata de ultraprocessados. A obesidade no Brasil não é democrática; ela tem cor, classe e gênero. Por quê? Porque são essas pessoas que ocupam os postos de trabalho na escala 6x1. 

Para entender por que o trabalhador brasileiro adoece, não basta olhar para as 8 horas de batente; precisamos olhar para as 3 ou 4 horas passadas dentro de um transporte público precário. Na escala 6x1, o deslocamento é o golpe de misericórdia na saúde........

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