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Trabalhar mais ou produzir melhor?

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20.02.2026

O empresariado brasileiro reclama há décadas da baixa produtividade do trabalhador. O diagnóstico aparece em relatórios da Confederação Nacional da Indústria, em análises do Banco Mundial e em editoriais econômicos. Mas a pergunta raramente é invertida: quanto se investiu, historicamente, em inovação tecnológica, reorganização produtiva e qualificação ampla da força de trabalho? Quanto se transformou, de fato, a estrutura produtiva para produzir mais e melhor, com menos desgaste humano?

A resposta, examinada com rigor, é desconfortável.

Ao longo de nossa formação econômica, predominou uma lógica recorrente: em vez de elevar a produtividade por meio de tecnologia e qualificação, optou-se por intensificar o trabalho. Jornadas longas. Ritmo acelerado. Compressão salarial. É um padrão que atravessa séculos.

Não se trata de retórica. Trata-se de história econômica.

Escravidão, exploração extensiva do trabalho

O Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão, formalmente encerrada pela Lei Áurea, de 1888. Durante quase quatro séculos, estruturou sua economia sobre trabalho compulsório. Quando o custo do trabalho é reduzido à coerção, o incentivo à inovação tecnológica diminui. Expande-se a produção ampliando braços, não a inteligência organizacional.

O caso do café é ilustrativo. O Brasil liderou por décadas em volume, mas frequentemente com qualidade inferior à de concorrentes que investiram mais cedo em técnicas de seleção e beneficiamento. A aposta era na quantidade extraída da exaustão, não na sofisticação produtiva.

O mesmo se observa nas charqueadas do Rio Grande do Sul. Com base no trabalho escravizado, produziram um charque que, em diversos momentos, custava mais caro e apresentava qualidade inferior à do produzido no Uruguai, onde predominava o trabalho livre nas........

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