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Eleições 2026: oligarquização trava a esquerda e favorece a direita

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29.01.2026

A corrida eleitoral brasileira de 2026 vai tomando forma em meio a tensões profundas e riscos reais para o campo democrático popular. As pesquisas eleitorais nacionais mais recentes esboçam um cenário complicado: embora Luiz Inácio Lula da Silva lidere as pesquisas diante dos principais concorrentes de direita, o quadro geral — sobretudo para o Legislativo e para as disputas estaduais — permanece desfavorável e fragmentado para quem se identifica com a democracia social.

No plano presidencial, levantamentos eleitorais de abrangência nacional mostram Lula na liderança das intenções de voto, beneficiado pela polarização persistente e pela permanência do bolsonarismo como ameaça concreta à democracia. Essa condição pode garantir competitividade no segundo turno, mas não resolve o problema central: o desgaste de um governo que, embora tenha entregado resultados relevantes, não conseguiu empolgar amplos setores da sociedade como em ciclos anteriores. Diferentemente de 2002 e 2006, Lula já não encarna a promessa de um novo ciclo virtuoso de crescimento e inclusão, mas sim a defesa possível de um terreno democrático sob ataque.

Além disso, quando se observam os cenários de primeiro turno, a soma das intenções de voto atribuídas aos candidatos de direita e centro-direita frequentemente supera o percentual isolado de Lula. Esse dado, recorrente nas pesquisas, indica que sua liderança é real, mas politicamente vulnerável, fortemente dependente da configuração final das candidaturas e da dinâmica do segundo turno.

No Congresso Nacional, as pesquisas eleitorais e projeções partidárias são ainda mais preocupantes para o campo democrático popular. Partidos de direita e centro-direita aparecem com vantagens consistentes na disputa pelo Senado e com tendência de ampliar suas bancadas na Câmara dos Deputados. Trata-se de um projeto de poder no espaço legislativo de longo prazo, voltado não apenas à disputa eleitoral, mas ao controle estrutural das instituições, inclusive como forma de pressão permanente sobre o Supremo Tribunal Federal. O PL, na conquista do Legislativo, opera com método e antecedência, algo que o campo democrático popular negligenciou por anos.

Além disso, o campo democrático popular vive um problema mais profundo: o processo de oligarquização dos partidos........

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