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Crescimento sem distribuição: a desigualdade como estrutura do país

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20.04.2026

O custo de vida elevado, o crédito caro e o endividamento das famílias — analisados no artigo anterior — não são fenômenos isolados. Eles se inserem em uma característica mais profunda da sociedade brasileira: sua estrutura altamente desigual.

É ela que explica por que avanços relevantes — como a queda do desemprego e a elevação da renda — não se traduzem, de forma proporcional, em bem-estar generalizado. O crescimento econômico ocorre, mas seus efeitos se distribuem de maneira assimétrica, preservando a estrutura social que organiza o país.

Segundo dados do Banco Mundial, o Brasil mantém um índice de Gini em torno de 0,518 situando-se mais recentemente entre aproximadamente 0,49 e 0,52 (sendo 0 igualdade perfeita e 1 desigualdade máxima), permanecendo entre as sociedades mais desiguais do mundo. Estimativas baseadas em dados tributários indicam que o 1% mais rico concentra cerca de 25% a 30% da renda nacional.

Esses números não expressam apenas uma desigualdade elevada, mas uma forma específica de organização social, que se reproduz de maneira persistente ao longo do tempo.

Mudança sem transformação estrutural

A manutenção histórica da desigualdade no país não significa imobilidade absoluta. É importante reconhecer que houve avanços e que ocorreu melhora recente em indicadores sociais importantes.

Estudos recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada/IPEA indicam melhora em indicadores de renda e redução da pobreza nos últimos anos, especialmente em 2024. Desde o Plano Real, a renda per capita cresceu 70% e políticas sociais contribuíram para reduzir em 18% os níveis mais extremos de privação. Ainda assim, essa trajetória não foi contínua e sofreu interrupções importantes.

No entanto, esses avanços operam dentro de limites estreitos. Eles alteram margens, mas não reconfiguram a estrutura. O Brasil melhora, mas não transforma sua desigualdade estrutural.

Essa diferença é decisiva. Em termos sociais, significa que a maioria da população pode experimentar alguma melhora relativa sem que isso implique mobilidade efetiva. Em termos econômicos, significa que o crescimento não se traduz em expansão ampla e equilibrada do consumo. Em termos políticos, significa que os indicadores positivos não são suficientes para produzir sensação de progresso coletivo.

Um país entre os mais desiguais do mundo e mais desigual que seus vizinhos

A comparação internacional torna a desigualdade estrutral ainda mais evidente. Mesmo sendo a maior economia da América Latina, o Brasil segue mais desigual do que países latino-americanos comparáveis.

Esse descompasso indica que o problema não reside apenas no nível de........

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