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2026: eleição dos governantes e de quem poderá impedi-los de governar

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14.05.2026

A eleição de 2026 não será apenas a disputa pela Presidência da República. Será uma disputa pela configuração do poder no Brasil. O país escolherá quem ocupará o Executivo, se esse Executivo terá condições políticas de governar, se o Congresso continuará ampliando sua capacidade de veto e de captura orçamentária, se o Senado terá maioria capaz de bloquear ou redesenhar instituições e se os governos estaduais funcionarão como polos democráticos ou como bases territoriais da direita e da extrema direita.

Os artigos desta série procuraram mostrar que o Brasil chega a 2026 atravessado por tensões estruturais profundas. O país registrou crescimento econômico, queda do desemprego e recuperação parcial da renda, mas isso não se traduziu em uma sensação generalizada de estabilidade e bem-estar. O aumento do custo de vida, o elevado endividamento das famílias, os juros altos, a precarização do trabalho e a insegurança cotidiana produziram um ambiente de frustração social difusa.

O desemprego atingiu um dos menores níveis históricos, mas milhões de brasileiros continuam inseridos em formas precárias de ocupação, informalidade e trabalho por aplicativos. A renda cresceu, porém parte importante dessa melhora foi absorvida pela inflação observada nos alimentos, nos serviços e nas despesas do cotidiano. A disseminação das apostas on-line e o avanço do crédito caro ampliaram a vulnerabilidade econômica entre setores populares e segmentos da classe média.

A desigualdade estrutural permaneceu como um elemento organizador histórico da sociedade brasileira. Ainda que indicadores sociais tenham melhorado em comparação com os anos imediatamente posteriores à pandemia, consolidou-se em amplos setores da população a percepção de interrupção da mobilidade social vivida nos primeiros governos Lula e Dilma. Muitos brasileiros sentem que trabalham mais, mas continuam incapazes de alcançar uma estabilidade material duradoura.

Ao mesmo tempo, o medo da violência consolidou-se como força política permanente. Mesmo em estados que registraram redução da taxa de homicídios, a percepção de insegurança segue elevada. O medo passou a organizar comportamentos eleitorais, fortalecer discursos autoritários e ampliar o peso político das pautas ligadas à segurança pública.

O conservadorismo religioso e moral também se expandiu como eixo estruturante da disputa política. Redes evangélicas, setores católicos conservadores, lideranças comunitárias e influenciadores digitais conservadores passaram a exercer forte influência sobre parcelas importantes do eleitorado, sobretudo nas periferias urbanas e em regiões do interior.

Por fim, o ambiente informacional brasileiro tornou-se profundamente fragmentado. Redes sociais, mídia tradicional, plataformas digitais, influenciadores políticos, rádios regionais e grupos de WhatsApp expõem o eleitor a narrativas opostas que circulam com exclusividade em bolhas de comunicação, sem diálogo. O país passou a conviver com múltiplas interpretações da realidade social, econômica e política circulando de forma segmentada e incomunicáveis entre si.

É nesse contexto que se realizará a eleição de 2026.

As pesquisas mostram um país territorialmente dividido

As pesquisas eleitorais divulgadas entre o fim de abril e o início de maio de 2026 mostram um Brasil profundamente polarizado.

No cenário nacional, Lula continua competitivo e mantém forte apoio no Nordeste e entre setores populares. A direita e a extrema direita, porém, preservam elevada capacidade de mobilização no Sul, no Centro-Oeste, em São Paulo e em parcelas importantes do eleitorado urbano conservador do país.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no início de maio mostra Lula com 46,6% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39,7% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o cenário aparece praticamente empatado: Flávio Bolsonaro registra 47,8% e Lula 47,5%.

Outro dado relevante das pesquisas recentes é que praticamente todos os candidatos competitivos do campo anti-Lula testados em cenários de segundo turno aparecem em situação de empate técnico com o atual presidente. Isso indica que a disputa de 2026 não dependerá apenas da capacidade de superar adversários no primeiro turno, mas também da construção de maiorias políticas e sociais capazes de ampliar apoio na etapa decisiva da eleição.

Mais do que uma polarização ideológica, os levantamentos revelam uma fragmentação territorial, cultural e social do eleitorado. Nordeste e parte do Norte interiorano continuam funcionando como principal base do lulismo. Já Sul, Centro-Oeste e regiões fortemente vinculadas ao agronegócio seguem mais alinhadas à direita.

As pesquisas mostram forte influência da renda, da religião, da percepção econômica do país e do ambiente informacional sobre o comportamento eleitoral. Entre os eleitores de menor renda, Lula preserva vantagem significativa. Já entre os segmentos de renda mais elevada, o eleitorado conservador mantém predominância.

O eleitorado evangélico continua majoritariamente inclinado à direita, impulsionado pela centralidade dos temas ligados à família, religião, costumes e segurança pública. Entre católicos, o cenário é dividido. Já entre eleitores sem religião, Lula e o campo progressista aparecem mais fortes.

A mudança demográfica e a inversão geracional do eleitorado

Um dos fenômenos mais importantes — e menos debatidos — da eleição de 2026 é a mudança do perfil demográfico do eleitorado brasileiro.

O Brasil envelheceu rapidamente nas últimas décadas, e isso começou a alterar profundamente a dinâmica política nacional. O número de eleitores com mais de 60 anos cresceu fortemente desde 2010 e atingiu nível recorde nesta eleição. Hoje, mais de 36 milhões de brasileiros possuem mais de 60 anos, dos quais cerca de 16,6 milhões têm mais de 70 anos e, portanto, não são obrigados a votar.

No movimento inverso, o eleitorado jovem perdeu peso relativo. A queda da natalidade e o envelhecimento populacional reduziram proporcionalmente a participação dos eleitores entre 16 e 24 anos no conjunto do eleitorado brasileiro, os quais totalizam hoje 28,9........

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