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Uma década perdida

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24.10.2026

O Brasil não ficou menor numa eleição. Ficou menor ao longo de uma década. Por tempo demais, a pauta política, a pauta da imprensa e a conversa da própria sociedade foram ocupadas por disputas de personagens, crises institucionais e guerras de narrativa. O que deveria ter prevalecido — o debate sobre o país que queremos ser — foi sendo empurrado para o rodapé. Nesse processo, questões fundamentais para a vida dos brasileiros perderam espaço, voz e prioridade.

Enquanto disputávamos o presente, o futuro foi ficando para trás.

Nesse intervalo, o mundo andou. A revolução tecnológica e a inteligência artificial estão redesenhando a economia, o trabalho e a vida cotidiana, mas uma parcela expressiva da juventude brasileira, sobretudo a que depende da escola pública, segue à margem dessa transformação. Não se trata apenas de acesso à tecnologia, mas de preparar gerações para compreender, participar e protagonizar um mundo que já está sendo construído. O risco é aprofundarmos desigualdades históricas e condenarmos milhões de brasileiros a oportunidades cada vez mais distantes.

Esse desafio nos obriga a repensar, entre outras coisas, o próprio modelo educacional brasileiro. Há décadas repetimos que a educação transforma vidas e constrói o futuro de uma nação. Mas precisamos reconhecer que os resultados ainda estão muito aquém dessa promessa. Não basta ampliar o acesso à escola se não formos capazes de assegurar aprendizagem, desenvolver o pensamento crítico, estimular a criatividade e preparar os jovens para as exigências de uma sociedade em permanente transformação. A pergunta não é apenas........

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