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Entre a Harmonia que agrada aos Deuses e a Violência que nos revolta

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15.08.2026

Não acredito que estejamos vivendo uma era de polarizações. Vejo nossa situação, sobretudo política, como exatamente ameaçada pela impossibilidade das polarizações.

Esquerda e direita têm representado, há muito tempo, uma polarização típica. A primeira, como sabemos, está ligada a uma visão mais popular da sociedade, da economia e da política. A última, por seu lado, a um universo mais elitista dessas facetas do mundo. A esquerda quer abrir mais espaço para a maioria, distribuir mais, criar mecanismos de participação; a direita, restringir o campo das decisões à. minoria, concentrar mais a riqueza nas mãos de proprietários. E assim por diante. As esquerdas encontraram uma fórmula de realização de seus projetos no socialismo; as direitas, no liberalismo. Assim, um reflexo de acento maior na igualdade ou na liberdade.

Nessa concepção de mundo em que controvertem essas duas visões, constituem-se dois polos, que acabam se institucionalizando em determinadas estruturas de grupos, tradicionalmente em partidos. No Brasil pós-Constituição de 1988, com a retomada da construção da democracia, esquerda e direita acabaram por se fazer representar em dois partidos principais, o Partido dos Trabalhadores – PT, e o Partido da Social-Democracia Brasileira – PSDB. O sociólogo Fernando Henrique Cardoso encarnou o projeto tucano de poder, em contraposição ao operário Luís Inácio Lula da Silva, que sintetizou a imagem do petismo. Disputaram várias eleições, em âmbito federal e local, realizando alianças com outros grupos que estavam de fora do âmbito de PT e PSDB. Assim, ajudaram a, de diferentes modos, construir a democracia brasileira, a partir do projeto constitucional de 88. Trouxeram benefícios de ordem diversa ao conjunto da sociedade.

Ocorre que a potência cultural e institucional (democrática) que geraram, no curso desse conflito, perdeu-se em determinado passo. Perdeu-se quando a energia trazida pelos ideais retratados na Constituição de 1988 pereceu, seja pelo esquecimento, seja porque as forças antipolíticas que sempre resistiram à ideia e à experiência da democracia no Brasil adquiriram mais vigor, por meio de adesão e contribuição a um processo internacional que figurou a ascensão de novos fascismos. Essa nova extrema-direita possui novas armas e novos interesses, vinculados mais fortemente ao movimento econômico dominado por fortes corporações econômicas nacionais (de Países identificados com um projeto neocolonial e imperial), que passaram a agir no Mundo, pretendendo a extinção de fronteiras e de soberania, para poder realizar objetivos de lucro e de exploração do trabalho com maior liberdade. Encontraram em figuras da extrema-direita a capacidade........

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