A inaptidão do Brasil para a liderança
Os recentes acontecimentos na América do Sul, com eleições que indicam a vitória de candidatos de direita e, particularmente, o ataque norte-americano à Venezuela com o sequestro do presidente Maduro, recolocaram em debate o papel do Brasil na região. Esta situação permite formular outra questão: O Brasil, efetivamente, tem aptidões para liderar? O que pode ser desdobrado em: O Brasil quer liderar?
Uma das afirmações mais singulares de Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, ao falar da imagem que os brasileiros fazem de suas aspirações na consciência coletiva em relação ao exterior, diz o seguinte: “Ostensivamente ou não, a ideia que de preferência formamos para nosso prestígio no estrangeiro é a de um gigante cheio de bonomia superior para com todas as nações do mundo”. O tiro acerta na mosca.
A preeminência, a essência, o cerne da diplomacia brasileira e da política externa brasileiras são o universalismo e o principismo. São universalistas no sentido de que a diplomacia e a política manifestam a disposição de manter relações com todos os países, independentemente de etnia, regime político, ideologia e condições econômicas e sociais. Essa postura não é meramente moral, mas visa ampliar e viabilizar seus interesses.
Elas são principistas porque se guiam pelos princípios da Carta da ONU relativos ao direito internacional, à soberania e à autodeterminação. Atentam também para o Artigo 4º da Constituição, referências que fazem o Brasil se esforçar para evitar alinhamentos com blocos de poder político ou ideológicos.
Não se trata de contestar os fundamentos da diplomacia e da política externa. O problema é que eles são insuficientes e, isoladamente, ineficazes como meios de projeção de poder, seja ele regional ou global. A ambição do Brasil, se é que........
