Esperar o melhor e prepararmo-nos para o pior
O debate em torno da Seleção Nacional e de Cristiano Ronaldo diz hoje muito mais sobre a sociedade do que sobre o futebol.
Abandonámos os ensinamentos de Aristóteles, que via na moderação e no ponto de equilíbrio a essência da virtude, para adotarmos uma lógica de confronto permanente, em que apenas os extremos conseguem captar a atenção.
É o abandono de uma doutrina com mais de vinte e quatro séculos. Em vez do meio-termo aristotélico, vivemos num permanente duelo entre posições extremadas e inconciliáveis.
O Mundial de 2026 é apenas mais uma demonstração de que esta realidade já não pertence apenas à política; contaminou também o futebol.
Não é o Mundial. É o mundo em 2026. Desde o primeiro jogo de Portugal que assistimos a este confronto.
De um lado, um grupo de fanáticos que pretende reformar Cristiano Ronaldo desde 2018, ano em que conquistou a última Liga dos Campeões ao serviço do Real Madrid e marcou os inesquecíveis três golos frente à Espanha no Mundial da Rússia.
Do outro, um grupo igualmente fanático que entende que Ronaldo deve jogar na Seleção enquanto quiser, porque tudo o que fez por Portugal lhe confere esse direito.
No meio desta guerra, o maior beneficiado é Roberto Martínez. O selecionador escapa à responsabilização pela deceção que Portugal tem sido neste Mundial, repetindo muitos dos erros que já tinha cometido na seleção belga.
Enquanto o debate se esgota em Cristiano Ronaldo, não se analisa a........
