Massa na véspera de um jogo: tradição ou estratégia?
Durante décadas, a imagem do atleta a jantar um generoso prato de massa na noite anterior a uma competição tornou-se quase um ritual. Dos clubes amadores às equipas profissionais, esta prática foi passando de geração em geração, sustentada pela ideia de que «mais massa significa mais energia». Mas continuará esta estratégia a fazer sentido à luz da evidência científica?
Foi no final da década de 1960 que se demonstrou que a quantidade de glicogénio armazenada no músculo influencia diretamente a capacidade para realizar exercício prolongado. Mostrou-se também que uma alimentação rica em hidratos de carbono aumenta significativamente as reservas de glicogénio muscular, lançando as bases da estratégia atualmente conhecida como carb loading (1).
Foi precisamente neste contexto que se popularizou a tradição de consumir um prato de massa na refeição anterior à competição. No entanto, será esta prática suficiente para otimizar o desempenho?
A evidência científica atual demonstra que, durante um jogo de futebol, a depleção progressiva das reservas de glicogénio muscular e hepático constitui um dos principais fatores associados ao aparecimento da fadiga física e mental. Esta diminuição da disponibilidade energética compromete não apenas a capacidade de realizar esforços de elevada intensidade, mas também competências técnicas fundamentais, como a precisão do passe, o remate, o drible, a tomada de decisão e a concentração. Estudos recentes mostram que, após 90 minutos de jogo, os níveis de........
