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Respeitar Ronaldo e acreditar na Seleção

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24.06.2026

O Campeonato do Mundo começou para Portugal com uma desilusão que não vale a pena maquilhar, ou disfarçar com alusões a resultados menos conseguidos de seleções vitoriosas noutras edições de fases finais de mundiais ou europeus. O empate com a República Democrática do Congo foi um mau resultado, sobretudo pela forma como a Seleção entrou no jogo, chegou cedo à vantagem por João Neves, e depois foi deixando o tempo passar, perdendo a autoridade num jogo demasiadamente lateralizado, numa gestão da posse de bola pouco acutilante no último terço do campo.

Não se exige à equipa das Quinas que ganhe todos os jogos por decreto, com exibições e resultados convincentes, mas exige-se a uma das seleções mais talentosas da prova que saiba governar os momentos do jogo com mais personalidade e fome competitiva. A gestão de expetativas assim o obriga, o talento existe e reconhece-se, a ambição foi inclusivamente traçada de dentro para fora, foram os responsáveis federativos que, mal ou bem, iniciaram uma campanha de promoção à vitória final, como se fosse um feito singelo, devendo admitir-se que é bem mais complexo do que a expetativa alimentada pela comunicação produzida.

Analisando esse jogo, Portugal teve bola, volume e posse, mas faltou-lhe aquilo que separa o controlo do domínio afirmativo do jogo: agressividade na decisão, profundidade nas roturas, velocidade na circulação e presença constante na área. A desilusão não ficou somente no resultado, esteve nessa sensação incómoda de que Portugal se deixou adormecer dentro do seu próprio talento, como se a qualidade individual fosse suficiente para resolver aquilo que só se resolve com concentração, intensidade, sentido coletivo e decisão individual que faça a diferença.

Sucede que, terminado o jogo, em vez de se discutir a equipa, o plano, a resposta ao empate, as substituições, a falta de jogo entrelinhas ou a pouca........

© A Bola