Sporting: a (in)coerência das decisões
Em maio deste ano, o Sporting renovou contrato com o seu treinador e Frederico Varandas proferiu as seguintes palavras: «Nós não tomamos decisões por marés. Não navegamos à vista ou ao sabor do que estão a dizer ou vão achar. Navegamos com base em convicções e a acreditar em processos de trabalho.»
Agora que se questiona a continuidade de Rui Borges, o que mudou?
O treinador é uma das figuras mais importantes de um clube: gere os principais ativos desportivos e tem enorme responsabilidade nos resultados. Escolhê-lo não é fácil, num futebol em que as variáveis mudam rapidamente. Ainda assim, quem define um caminho coerente está mais perto de vencer.
A escolha deve partir de critérios bem definidos: que futebol se quer apresentar? O resultado é mais importante do que a identidade de jogo? Deve ser um fim ou uma consequência do trabalho? Pretende-se um treinador de personalidade forte, que possa gerar choques, ou alguém mais flexível? Que liderança se quer no balneário? Os valores e o comportamento do treinador encaixam na imagem do clube? E que comunicação se espera dele?
Renovação com convicção?
Rui Borges chegou ao Sporting num momento conturbado. Conseguiu agarrar a equipa e conquistar a dobradinha no final dessa época. A época seguinte foi a primeira que iniciou de leão ao peito. Mudou o sistema tático e apresentou um futebol dominador, por vezes alegre e aglutinador. Teve, contudo, dificuldades na gestão da condição física dos jogadores nas fases decisivas da época. Ainda assim, manteve a equipa competitiva nas várias competições, uma exigência de quem treina um clube........
