O capital compra clubes. Mas quem constrói o futuro?
Durante décadas, os clubes de futebol foram construídos à volta de uma cidade, de uma comunidade e de uma identidade. Hoje, muitos começam a integrar estruturas internacionais onde o futebol é pensado à escala global. O capital atravessa fronteiras, os jogadores circulam entre continentes e algumas decisões estratégicas são tomadas a milhares de quilómetros dos estádios. Mas há uma pergunta que o futebol português não pode deixar de fazer: quando um investidor compra um clube, está a adquirir uma oportunidade de negócio ou a assumir a responsabilidade de construir o seu futuro?
A resposta não tem de ser uma escolha entre as duas coisas. Um clube pode ser economicamente atrativo e, ao mesmo tempo, desportivamente ambicioso. Aliás, os melhores projetos são precisamente aqueles que conseguem conciliar estas duas dimensões. O problema começa quando uma delas existe sem a outra.
Portugal tem razões para olhar para o investimento internacional com abertura. Temos conhecimento, treinadores qualificados, capacidade de formação, uma cultura futebolística reconhecida e uma posição privilegiada na ligação entre diferentes mercados. Mas também temos clubes com dificuldades financeiras, infraestruturas insuficientes e uma dependência excessiva das transferências de jogadores. Recusar capital por princípio seria ignorar uma oportunidade. Aceitá-lo sem critérios seria cometer outro erro.
O crescimento dos grupos multiclube não é apenas uma mudança na propriedade. É uma mudança na forma de organizar o futebol. Um grupo pode partilhar metodologias, departamentos de análise, informação sobre mercados, competências médicas, tecnologia e processos de recrutamento. Pode criar percursos de desenvolvimento para........
