Infraestruturas: uma oportunidade estratégica para o futebol português
Imagine que, numa sexta-feira à noite de janeiro, sob chuva intensa e vento frio, tem de explicar aos seus filhos por que razão vale a pena ir ao jogo. As bancadas são descobertas, chove e a água acumula-se entre as filas, o vento e o frio atravessam o estádio... e o bar tem filas longas e uma oferta pouco apelativa — para um jogo que começa às 20h00, já numa hora pouco compatível com a rotina familiar. A experiência nada tem de confortável. A paixão até pode ajudar a vencer o conforto caseiro num dia ou outro, mas isso é uma exceção. Que não é de todo suficiente para garantir o envolvimento das gerações vindouras na rotina do estádio.
O futebol português discute competitividade, centralização de direitos televisivos e modelos de distribuição de receitas, entre outros pilares cruciais. No entanto, há um fator estrutural que influencia todas condições de valorização do produto e que continua a merecer atenção insuficiente: as infraestruturas.
Estádios, relvados e centros de treino não são apenas ativos físicos, mas sim elementos determinantes para a experiência do adepto, para a qualidade do jogo e para a valorização do principal capital do futebol português: os jogadores. A experiência do estádio é hoje um fator decisivo. Se os clubes não evoluírem neste plano, o risco não é apenas a ausência momentânea de público, mas uma quebra estrutural na renovação geracional dos adeptos. Num contexto em que os chamados três grandes têm sempre uma base consolidada, os clubes de dimensão média e regional são os mais expostos a perder identidade, público e relevância local.
Casos como FC........
