Português Suave
É certo que o tempo de verão combina melhor com convívios de amigos, festivais de verão, arraiais, idas à praia e uma alegria no ar que só o sol e a luz destes tempos explicam. Contudo, apesar do arranque da designada silly season, o que se soube a semana passada merece uma séria reflexão.
Durante várias décadas, Portugal caracterizava-se a si mesmo por um país dos ditos brandos costumes, em que movimentos extremistas encontravam pouco eco na população, mais preocupada em sobreviver em paz e com serenidade em cada dia. Esse tom algo fatalista mas, em simultâneo, de um certo conformismo parece, nos tempos que correm, substituído pela banalização de um discurso de ódio, em que somos todos virados uns contra os outros e em que a, às vezes até excessiva, tolerância é substituída por extremismos, principalmente perigosos quando advêm de quem tem como missão proteger todos e fazer cumprir a lei e que, enquanto tal, tem acesso a dados que torna os seus alvos mais vulneráveis ainda.
Na passada quarta-feira, dia 17 de junho, o Ministério Público acusou nove pessoas no âmbito da investigação que foi feita ao designado grupo Movimento Armilar Lusitano. De acordo com a mesma, os seus fundador/chefe e membros “visavam a subversão do regime democrático, a imposição de um modelo autoritário e o recurso à violência para alcançar os seus objetivos ideológicos” e, além de produzirem armas e peças de armas, identificaram individualidades e entidades que classificavam como “alvos” e que viam como uma “ameaça” ao País. No grupo de pessoas identificado........
