Regionalizar é urgente. Opinião de Pedro Marques Lopes
As mais notórias reformas estruturais do governo Passos Coelho foram os cortes de salários e pensões e as nacionalizações por Estados estrangeiros de empresas estratégicas nacionais. Não admira que cada vez que o ex-primeiro-ministro aparece, naquele seu novo tom monástico, para nos lembrar que está mortinho para voltar à política e fala de reformas estruturais, as pessoas se lembrem do diabo − não exatamente aquele que ele costuma anunciar.
O fim dos governos civis foi uma das ditas reformas. Disseram-nos que só serviam para gastar dinheiro. Era tão verdade como dizer que as câmaras municipais ou a escola pública ou o Serviço Nacional de Saúde gastam dinheiro. Cumpriam uma função de representação do Estado no território, asseguravam a ligação entre poder central e local, e em situações como a que atravessamos cumpriam um papel importante na coordenação das várias entidades.
Os governos civis supriam totalmente a necessidade de organizações intermédias entre o poder local e o poder central? Claro que não, muito longe disso e com razões de ser completamente distintas. O seu fim foi só mais um sinal do abandono do território, revelador da ignorância das realidades locais, temperada com uma forte dose de populismo.
Este é mais um dos textos que escrevo em defesa da regionalização. Lembro-me de que falei do tema aquando dos incêndios de Pedrógão. Também podia ter aproveitado para dizer alguma coisa sobre o tema quando saiu o estudo que nos informava que a nossa despesa com os municípios é metade da dos nossos parceiros da União Europeia, ou quando a OCDE dizia que Portugal é, de longe, dos países que mais gastam na........
