‘Breaking news’: a realidade já não é o que parece
Até há bem pouco tempo, bastava-nos ouvir a voz de alguém ao telefone para termos a certeza de quem estava do outro lado. Hoje, já não é bem assim. Um vídeo convincente de um líder político a afirmar o impensável pode ser criado por Inteligência Artificial (IA) em segundos, abalando as bases sobre as quais costumávamos construir a confiança.
À medida que íamos desenvolvendo uma relação, a confiança ia-se acumulando. Quanto mais interações positivas, maior o saldo. Agora, os sinais a que estamos habituados, incluindo o erro ocasional, deixam de ser garantia. Quando deixarmos de conseguir distinguir máquinas de pessoas, passaremos a confiar nas primeiras como confiamos nas segundas? Ou simplesmente deixaremos de confiar em quem quer que seja?
Sempre que há uma grande mudança tecnológica, atravessamos uma zona cinzenta em que parece que a confiança entrou em crise. Houve uma altura em que os e-mails de phishing (como a famosa herança milionária vinda de um desconhecido num país distante) eram levados a sério por muitos. Com o tempo, aprendemos a verificar remetentes, a olhar para erros ortográficos. Fomos de um extremo de ingenuidade para um extremo de ceticismo.
Hoje, a sensação é semelhante, mas em alta definição. Há uns meses, circulou um vídeo com coelhos a saltar num trampolim, alegadamente “apanhados” por uma câmara. O vídeo tornou-se viral porque quase toda a gente o tomou como uma gravação real. Só mais tarde surgiu a confirmação de que tinha sido gerado por IA.
Quando a verdade vem ao de cima, o pensamento é imediato: se até isto era falso, o que é real? Suspeito que o teste de Turing vai começar a entrar no........
