A síndrome cardio-reno-metabólica existe mesmo? Opinião da presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo
Durante muitos anos, habituámo-nos a pensar nas doenças como entidades separadas: o coração de um lado, os rins de outro, o metabolismo num terceiro plano. Um doente tinha diabetes, ou insuficiência cardíaca, ou doença renal crónica — como se cada condição fosse um capítulo isolado. Hoje sabemos que essa visão está ultrapassada.
A chamada síndrome cardio-reno-metabólica (CRM) não é uma construção teórica nem um conceito académico abstrato. É, na verdade, a tradução clínica de um conjunto de mecanismos biológicos comuns que ligam, de forma profunda, o metabolismo, o sistema cardiovascular e a função renal. Inflamação crónica, resistência à insulina, disfunção endotelial e alterações hormonais são algumas das peças deste puzzle que, em conjunto, contribuem para a progressão de várias doenças que frequentemente coexistem.
Mais importante ainda, o risco associado a esta síndrome não surge de forma súbita. Não há um momento claro em que alguém “passa” de saudável a........
