A Europa aprendeu a dizer não
Donald Trump governa como quem multiplica frentes de combate para testar resistências. Não porque precise delas, mas porque acredita que o conflito permanente é a melhor forma de impor hierarquias. Desde o regresso à Casa Branca, o padrão é claro. Pressão externa, tensão interna, deslegitimação de aliados e a criação de instrumentos políticos com nomes benignos e intenções opacas. O chamado Board of Peace é talvez o melhor exemplo disso.
Apresentado como uma iniciativa para a paz global, o Board of Peace é, na prática, um dispositivo político de alinhamento. A lista de países e figuras que aceitaram integrar esse fórum diz muito menos sobre a paz e muito mais sobre a disposição para legitimar a leitura trumpiana do mundo. Um mundo onde a estabilidade não nasce do direito internacional nem das instituições, mas da proximidade ao poder americano e da aceitação tácita da sua arbitrariedade. A paz, neste contexto, não é um valor. É uma recompensa.
Em paralelo, Trump abriu uma frente interna que tem tudo para se tornar um problema sério e politicamente explosivo. A atuação do ICE, cada vez mais agressiva, com duas mortes, menos escrutinada e mais ideológica, transformou-se num instrumento de sinalização política. Não se trata apenas de imigração ou de segurança interna. Trata-se de afirmar autoridade, testar limites constitucionais e normalizar uma lógica de exceção permanente. É a política........
