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Rosa ou pistola?

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26.09.2026

O que é que uma mulher sérvia e uma cubano-americana têm em comum? Uma pôs o corpo numa mesa e disse ao público: façam o que quiserem. A outra caiu do 34º andar e o marido foi absolvido. As duas fizeram da violência sobre o corpo feminino a matéria do seu trabalho. Uma sobreviveu para contar. A outra não.

Não vou chamar-lhe violador. Não porque não o seja. Mas porque a palavra assusta e quando a palavra assusta o leitor fecha a página e volta para o Instagram e é exatamente isso que o sistema quer, que feches a página, que mudes de assunto, que digas “isso não é comigo” e sigas em frente como se seguir em frente não fosse a definição exata do problema.

Vou chamar-lhe conquistador. Porque é assim que ele se vê. Porque é assim que o sistema o ensinou a ver-se. E porque conquistador, em Portugal, ainda é um elogio.

Em 1974, Marina Abramovic pôs-se de pé numa galeria em Nápoles e disse ao público: façam o que quiserem com o meu corpo. Setenta e dois objetos numa mesa. Uma rosa. Um bisturi. Uma pistola carregada. Seis horas. Nas primeiras horas, flores. Depois cortaram-lhe a roupa. Depois a pele. Depois um homem apontou-lhe a pistola à cabeça. E quando acabou, quando ela voltou a ser gente, o público fugiu. Não por vergonha do que tinham feito. Por vergonha de terem descoberto que eram capazes.

A história começa aqui. Na permissão. Ninguém a dá com decreto. Dá-se com silêncio. Com piadas. Com “boys will be boys”. Ou seja, “eles são assim, ó filha, não ligues”. Com: “Ela também não facilitou?” Com o olhar que avalia a saia antes da queixa.

E agora há um movimento inteiro de mulheres a fazer o mesmo. Reuniram-se num........

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