Brasil, a última grande trincheira da América Latina?
A eleição brasileira ultrapassou há muito as fronteiras do Brasil. Enquanto o país escolhe o próximo Presidente, os Estados Unidos redesenham a sua política para a América Latina. E desta vez Washington não esconde o projeto.
A Estratégia Nacional de Defesa norte-americana de 2026 recuperou oficialmente a Doutrina Monroe sob um novo nome: Trump Corollary to the Monroe Doctrine. O “corolário de Trump à Doutrina Monroe” fala em restaurar a dominância militar dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, assegurar acesso a territórios considerados estratégicos e impedir que outras potências controlem ativos vitais na região. Uma política externa que recoloca toda a América Latina no centro da estratégia de poder dos Estados Unidos.
Talvez seja esta a chave para compreender o que está em disputa no Brasil, cujas eleições presidenciais estão agora no momento decisivo.
Reorganização do poder
Quando, no início do ano, começámos a acompanhar os movimentos de Donald Trump sobre a Venezuela, a captura de Nicolás Maduro era apresentada ao mundo essencialmente como uma operação de segurança. Já então, porém, revelámos que o petróleo, os minerais e a disputa pela influência na América Latina apareciam por detrás da narrativa oficial.
Meses depois, o desenho está mais nítido. Na Venezuela, empresas apoiadas por Washington assumiram campos petrolíferos anteriormente explorados por interesses chineses e russos, enquanto o próprio governo norte-americano garantiu participação económica e acesso preferencial à produção venezuelana.
Na América Latina, Trump desviou dezenas de milhões de dólares em financiamento militar antes destinados à Europa e ao........
