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Opinião | Medicar uma criança é violência? A pergunta que a sociedade precisa de fazer

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28.10.2026

Uma criança autista pode sentir o mundo como se alguém tivesse aumentado o volume de tudo ao máximo. A luz parece mais intensa, os ruídos tornam-se ensurdecedores, os cheiros invadem o espaço e a tensão à sua volta pode ser difícil de suportar. Aquilo que para muitos passa despercebido pode, para ela, representar uma sobrecarga constante.

Imaginemos, então, uma criança que passa várias horas por dia numa sala com 25 alunos, luzes fluorescentes, conversas simultâneas, cadeiras a arrastar, instruções sucessivas e pouco espaço para recuperar do excesso de estímulos. Espera-se que permaneça sentada, concentrada, tranquila e disponível para aprender, independentemente daquilo que está a sentir.

Quando não consegue corresponder a estas expectativas, a atenção desloca-se rapidamente para o seu comportamento. A criança é considerada agitada, difícil, desatenta ou desobediente. Procuram-se estratégias para a fazer cumprir as regras, controlar as reações e adaptar-se ao funcionamento da sala.

Mas será que estamos a fazer as perguntas certas?

E se o problema não estiver apenas na criança, mas também no ambiente em que lhe exigimos que funcione?

Quando o comportamento é uma mensagem

Nem todas as crianças autistas têm as mesmas necessidades, e o autismo manifesta-se de formas muito diferentes. Algumas apresentam diferenças no processamento sensorial e podem sentir determinados estímulos com uma intensidade particularmente difícil de gerir.

Nestas circunstâncias, aquilo que os adultos interpretam como uma birra, uma recusa ou uma reação desproporcionada pode ser uma resposta à sobrecarga. Uma criança que tapa os ouvidos, tenta fugir de um espaço, chora ou deixa de conseguir responder às solicitações pode estar a comunicar um desconforto que ainda não consegue explicar por palavras.

O comportamento não deve ser........

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