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A escola não pode ser governada pela pressão dos pais

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30.10.2026

A escola precisa das famílias. Precisa do conhecimento que possuem sobre os filhos, das suas perguntas e da sua capacidade para alertar quando alguma coisa não está bem. Nenhuma educação verdadeiramente inclusiva se constrói contra os pais ou sem os ouvir. Mas ouvir não significa obedecer e participar não significa assumir a direção pedagógica da escola. Esta fronteira está a tornar-se cada vez mais difícil de preservar. 

Em muitas escolas, a desejável proximidade das famílias começou a confundir-se com uma disponibilidade sem limites. Há pais que esperam respostas imediatas a qualquer hora, contestam cada classificação, exigem a alteração de estratégias, escolhem quem pode corrigir um trabalho, pretendem determinar o tempo e o formato de uma avaliação ou recorrem diretamente à direção, antes de esgotarem o diálogo com o professor. Outros apresentam a opinião de um explicador, uma pesquisa na internet ou uma interpretação clínica como se anulassem automaticamente aquilo que foi observado em contexto escolar. A preocupação pode ser legítima, mas a apropriação das decisões profissionais não é. 

A invasão torna-se mais grave quando o professor é colocado sob suspeita permanente. Uma dúvida transforma-se numa acusação; uma dificuldade do aluno é atribuída de imediato ao método; uma avaliação menos favorável é lida como injustiça; uma medida educativa é recusada porque contraria a imagem que a família construiu do filho. Multiplicam-se mensagens, pedidos de justificação e ameaças de queixa, nem sempre para compreender a decisão, mas para forçar a sua alteração. Sob esta pressão, o diálogo deixa de procurar uma solução e passa a medir quem consegue impor a sua vontade. 

A participação parental é um direito e uma responsabilidade. A Constituição atribui aos pais o direito e o dever de educação dos filhos; o Código Civil confia-lhes a direção da educação no interesse........

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