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Humanidades 5.0: uma travessia com Inteligência Artificial

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09.03.2026

Antes de tudo, escrevo como professora de Português, mesmo sendo formadora de professores em Inteligência Artificial Generativa (desde 2023). Gostaria de mencionar que não sou especialista, e de reconhecer que a IA me tem permitido questionar, cada vez mais, o meu papel como docente e formadora.

Na verdade, todas as pessoas com quem tenho aprendido durante o meu percurso pessoal e profissional não se veem como especialistas no sentido literal do termo. São oriundas das mais diversas áreas: engenharia, astronomia, filosofia, didática das línguas, edição, música, literatura, direito, defesa, administração pública, tradução, saúde, psicologia, sociologia, jornalismo, entre muitas outras, incluindo o setor privado. A lista é longa (e necessariamente inacabada), já que a IA é, por natureza, transversal a todas as áreas do saber e da sociedade.

Esta diversidade não é um obstáculo a uma problematização sobre a IA. Bem pelo contrário, julgo que poderá ser uma das suas maiores vantagens. Confirma que estamos perante um fenómeno que não pode ser apreendido por uma única disciplina, nem reduzido a competências técnicas. A IA apela a saberes múltiplos e experiências diversificadas e, sobretudo, à nossa capacidade de dialogar entre os diferentes campos. Aquilo que as Humanidades podem fazer, não esquecendo a área das ciências e tecnologias.

Cooperação interpretativa

Como mostrou Umberto Eco em Obra Aberta (1962), sempre atual, o conhecimento (complexo) não se organiza como um sistema fechado, nem se esgota numa única leitura. As obras (e, por extensão, os fenómenos culturais) exigem uma cooperação interpretativa, em que o sentido se constrói na relação entre estrutura, contexto e leitor. Esta abertura........

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