Humanidades 5.0: uma travessia com Inteligência Artificial
Antes de tudo, escrevo como professora de Português, mesmo sendo formadora de professores em Inteligência Artificial Generativa (desde 2023). Gostaria de mencionar que não sou especialista, e de reconhecer que a IA me tem permitido questionar, cada vez mais, o meu papel como docente e formadora.
Na verdade, todas as pessoas com quem tenho aprendido durante o meu percurso pessoal e profissional não se veem como especialistas no sentido literal do termo. São oriundas das mais diversas áreas: engenharia, astronomia, filosofia, didática das línguas, edição, música, literatura, direito, defesa, administração pública, tradução, saúde, psicologia, sociologia, jornalismo, entre muitas outras, incluindo o setor privado. A lista é longa (e necessariamente inacabada), já que a IA é, por natureza, transversal a todas as áreas do saber e da sociedade.
Esta diversidade não é um obstáculo a uma problematização sobre a IA. Bem pelo contrário, julgo que poderá ser uma das suas maiores vantagens. Confirma que estamos perante um fenómeno que não pode ser apreendido por uma única disciplina, nem reduzido a competências técnicas. A IA apela a saberes múltiplos e experiências diversificadas e, sobretudo, à nossa capacidade de dialogar entre os diferentes campos. Aquilo que as Humanidades podem fazer, não esquecendo a área das ciências e tecnologias.
Cooperação interpretativa
Como mostrou Umberto Eco em Obra Aberta (1962), sempre atual, o conhecimento (complexo) não se organiza como um sistema fechado, nem se esgota numa única leitura. As obras (e, por extensão, os fenómenos culturais) exigem uma cooperação interpretativa, em que o sentido se constrói na relação entre estrutura, contexto e leitor. Esta abertura........
