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Os ricos também choram. Crónica de Margarida Davim

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22.05.2026

Elas encolhem-se nos vestidos de alta-costura, eles estugam o passo, empertigados nos fatos escuros, agarrados elas e eles pelo braço, tentando ignorar os que estão fartos de ser ignorados. As imagens das entradas na Met Gala, uma das mais decadentemente exclusivas festas de Nova Iorque, mostram gente comum e invisibilizada falando alto aos que acham que podem tudo. É curioso que se tenha começado a usar a palavra “decadente” como sinónimo de luxo indulgente, quando começa a ser evidente que os milhões de poucos são conseguidos à custa da exploração de muitos milhões. Os trabalhadores da Amazon deixaram isso muito claro, quando projetaram as suas imagens no Chrysler Building, agigantando-se até olharem para baixo e verem, muito pequeno, o patrão Jeff Bezos, para lhe gritarem em stereo que deve envergonhar-se de como os explora e que tudo o que tem lhes deve, a eles.

No lobby da festa apareceram pequenas garrafinhas, daquelas que costumam ser usadas para servir bebidas, cheias de urina, com a cabeça calva de Bezos no rótulo, numa alusão às regras da Amazon que tornam um inferno uma simples ida à casa de banho durante um turno. Junto à passadeira vermelha, os manifestantes gritaram uma frase que resume bem o momento em que as descidas de impostos aos mais ricos se traduzem diretamente na falta de cuidados a todos os outros. “We need healthcare, not a another billionaire.”

Os vestidos de caudas impossíveis, os corpetes ao estilo de armaduras, as maquilhagens exageradas e os cabelos meticulosamente penteados ficaram subitamente expostos ao seu ridículo vazio. Era possível vê-lo nas caras dos convidados, que tentavam fugir rapidamente ao protesto que se desenrolava à........

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