Quem vai reconstruir Portugal?
Nos últimos anos, Portugal tem sido repetidamente atingido por fenómenos climáticos extremos que deixaram cicatrizes profundas no território e nas pessoas. Incêndios devastadores, tempestades violentas, cheias repentinas e deslizamentos de terra transformaram paisagens, destruíram casas, danificaram infraestruturas e fragilizaram comunidades inteiras, sobretudo no Centro e no Interior do País . Há aldeias onde o silêncio substituiu a vida, campos onde o verde deu lugar à cinza, estradas interrompidas pela força da água ou por deslizamentos de terra e habitações destruídas. O País não enfrenta apenas uma emergência ambiental — enfrenta um desafio humano e estrutural. E a pergunta torna- se inevitável: quem vai reconstruir Portugal?
Apesar desta realidade, o discurso político sobre imigração tem insistido na prioridade de atrair trabalhadores altamente qualificados e investimento externo associado aos chamados “vistos gold”. Claro que a qualificação é importante, mas não responde à urgência da reconstrução física do País. Depois das chamas e das tempestades, o que falta são braços: trabalhadores da construção civil, pedreiros, carpinteiros, eletricistas, operadores de máquinas e técnicos capazes de recuperar casas, reparar estradas e devolver vida a territórios........
