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O medo voltou ao trabalho

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09.06.2026

A greve geral da passada quarta-feira deixou uma imagem que deveria preocupar qualquer democrata. Não a dos números da adesão, inevitavelmente disputados entre sindicatos e entidades empregadoras. Não a dos serviços encerrados ou dos constrangimentos provocados pela paralisação. A imagem verdadeiramente inquietante foi outra: a do medo.

Um medo silencioso, difuso e persistente. Um medo que raramente aparece nas estatísticas e que dificilmente será captado pelos comunicados oficiais. Um medo que se sente nos corredores das empresas, nos serviços públicos, nas mensagens trocadas entre colegas, nas chamadas telefónicas discretas e nas conversas sussurradas longe de ouvidos indiscretos.

Nas semanas que antecederam a greve, multiplicaram-se relatos de trabalhadores preocupados com as consequências da sua participação. Uns receavam represálias futuras na progressão da carreira. Outros temiam perder oportunidades profissionais, ver comprometidas avaliações de desempenho ou ser afastados de projetos e responsabilidades. Muitos confessavam simplesmente não querer ficar “marcados”.

Em diversos setores, públicos e privados, foram igualmente reportadas mensagens, e-mails, contactos telefónicos e comunicações internas que muitos trabalhadores interpretaram como formas mais ou menos explícitas de pressão destinadas a desencorajar a adesão à greve. Em alguns casos, essas comunicações limitavam-se a recordar os impactos salariais da paralisação. Noutros, continham referências a consequências........

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