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Acorda, Europa. Mas vê lá como te portas

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sunday

A liberdade está aprovada em princípio, embora o seu exercício continue a causar alguma deceção. Quem manda a Europa acordar devia estar preparado para a ouvir.

A Europa voltou a ser chamada à ordem. Houve violência nas ruas de França e descobriu-se que partir montras é crime, que incendiar edifícios prejudica os seus habitantes e que a polícia deve intervir. Falta encontrar quem discorde, de preferência alguém com responsabilidades no assunto. Um ministro que tenha mandado respeitar a liberdade de saquear, um tribunal que considere o incêndio uma forma de participação cívica. Sem isso, estamos todos de acordo e continuamos sem saber por que falhou a segurança. Mélenchon e Le Pen parecem ter bastante a ganhar com uma discussão que deixa os problemas por resolver.

O comerciante que perdeu a loja talvez preferisse uma explicação. Precisa de tratar do seguro, recuperar o negócio e confiar que não voltará a acontecer-lhe o mesmo. A decadência do Ocidente pode esperar. Até porque pode querer mais polícia à porta e ter estado na manifestação da véspera. Pode concordar com as reivindicações e exigir a prisão de quem lhe destruiu o sustento. Seria conveniente ouvi-lo antes de lhe atribuir uma opinião sobre os excessos da liberdade europeia.

Houve agentes suficientes? As ordens eram adequadas? O que aconteceu às pessoas detidas? Há perguntas bastante concretas a fazer a quem governa. Quando se troca tudo isso por uma crise da tolerância, um ministro deve apreciar a transferência. A tolerância não tem gabinete nem assina despachos. Pode ficar com as responsabilidades todas. Quando a culpa é da civilização, o ministro pode juntar-se aos indignados.

A liberdade está aprovada em princípio, embora o seu exercício continue a causar alguma deceção. Reconhece-se que a maioria se manifestou........

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