As escolas públicas e privadas têm de abrir as suas portas às crianças, aos pais, às comunidades e aos professores
A leitura de dois artigos publicados na VISÃO (“Para uma cultura da confiança na escola” e “A indisciplina nas escolas públicas – ou o sentimento de impunidade dos alunos”) deixou-me estupefacto, ligeiramente irritado e desiludido. Os autores descrevem situações sintomáticas, mas de somenos importância, exemplificativas do disfuncionamento, total, de uma instituição fundamental para a sociedade: a escola.
Geração após geração, esta instituição destrói, de facto, as potencialidades das crianças e dos jovens. Os resultados são maus, a insatisfação é generalizada mas a sociedade, dividida em classes sociais e castas, preocupada em sobreviver, não debate, nem resolve os problemas. Os mentores e os gestores da instituição não são nem questionados, nem responsabilizados pelas crueldades que praticam, com toda a impunidade.
As crianças e os jovens, abandonados no hall de entrada da creche ou no passeio da escola, vítimas de frequentes abusos, desrespeito e violências, por parte dos adultos, confrontados com a indiferença e o desinteresse destes, fazem o que aprendem. A consequência é que, só na escola, são alvo de centenas de milhares de participações disciplinares por ano. No fim do primeiro ciclo, a sua saúde mental é absolutamente confrangedora.
Nenhuma criança nasce a saber comportar-se como um ser humano social e saudável. Ao bebé, à criança e ao jovem não lhes resta senão esperar que os adultos à sua volta sejam suficientemente gentis e cuidadosos para lhes ensinarem a viver. A escola recusa-se a fazê-lo, os pais não o conseguem fazer.
Neste contexto, não parece justo, nem de qualquer utilidade, tentar culpar a criança ou o jovem por........
