Não precisa de ser hackeado para ficar exposto
Imagine que os quatro sites que mais visitamos são suficientes para nos distinguir de quase todas as outras pessoas num estudo. Parece difícil de acreditar? E se acrescentar que, para chegar a essa conclusão, não é necessário conhecer o nosso nome, a nossa morada ou sequer as nossas conversas? Na verdade, basta analisar os nossos hábitos de navegação.
Um estudo publicado em outubro de 2025 na revista científica Scientific Reports analisou os hábitos de navegação de mais de duas mil pessoas na Alemanha. Os investigadores concluíram que os quatro domínios mais visitados permitiam distinguir 95% dos participantes.
Importa esclarecer que isto não significa que qualquer pessoa consiga descobrir o nosso nome através de quatro sites. Significa que os nossos hábitos podem ser suficientemente distintos para nos tornar reconhecíveis num conjunto de dados, mesmo quando o nosso nome não aparece. E é este ponto que merece a nossa atenção.
Habituámo-nos a pensar na privacidade como uma questão de informação que decidimos partilhar: publicações nas redes sociais, fotografias ou dados introduzidos em aplicações. Mas o problema pode não estar apenas no que partilhamos, mas também naquilo que os nossos comportamentos permitem descobrir.
Pensemos num dia normal. Saímos de casa, consultamos uma aplicação para encontrar o caminho mais rápido para o trabalho, fazemos um pagamento e........
