Onde está Khamenei?
Khamenei precisa de fazer a sua prova de vida. Não através de um comunicado que poderia ser escrito por qualquer um dos 93 milhões de iranianos, mas aparecendo, nem que seja só o rosto, e falando. O homem que “sente nos ossos” dá-o como morto; o secretário da Guerra (é mesmo secretário!) garante-o incapacitado e desfigurado; e as teorias mais bizarras são invocadas para explicar o seu desaparecimento. Ou o seu não aparecimento.
Eventualmente, quase de certeza, Mojtaba Khamenei «sentiu nos ossos» a queimadura dos mísseis de alta precisão que atingiram o espaço do Líder Supremo logo nos primeiros segundos da guerra. Que começou precisamente ali, no início da manhã, em Teerão.
Há ainda outro sinal inexplicável: os 88 clérigos que escolheram o novo Líder não estiveram reunidos no mesmo espaço físico, como seria de esperar. Parece inegável. Como votaram, então? Por pombo-correio ou por estafeta. Juntos e ao vivo, dariam pela falta de Mojtaba e de outros. Já nem sequer eram 88!
Perguntando ao senhor dos ossos, ele inventa. Diz patetices. «Só por brincadeira», que é o lema desta “excursão” militar americana, é que se esqueceu que existia o Estreito de Ormuz. Não vem nos mapas do ilustre estratego. Que outros tratem do assunto, reclama. O secretário pede para ninguém se preocupar. “Está tudo controlado.”
Quando, e se, Khamenei voltar do martírio, encontrará um Irão diferente: menos potência regional, menos ardor e com menos amigos. Encontrará um Irão sem mito nem grandeza. Vulnerável e pouco perigoso. Um país que “sentiu nos ossos” a destruição que tanto ambicionava causar a Israel e aos EUA. Onde está Khamenei, afinal?
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